└──●► Para quem ama…

“Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela
vida afora, é solidão, isolamento cada vez mais intenso e profundo.
O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se,
unir-se a outra pessoa […] O amor é uma ocasião sublime para o
indivíduo amadurecer, tornar-se algo por si mesmo, tornar-se
um mundo para si, por causa de um outro ser: é uma grande
e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e
um chamado para longe”.

__________Rilke em Cartas a um jovem poeta

└──●► Sobre o amor…

“… pois o amor é tão forte quanto a morte… 
Nem muitas águas conseguem apagar o amor; os rios 
não conseguem levá-lo na correnteza. Se alguém 
oferecesse todas as riquezas de sua casa para 
adquirir o amor, seria totalmente desprezado” 

_________Cântico dos cânticos 8.6-7

Amamos antes de sabermos explicar
como funciona o amor. O amor se desdobra como excelência.
Para o amor não há lei. Sempre que amor nasce do dever
se esgota na rejeição.

└──●►AMOR MADURO

O AMOR MADURO não é menor em intensidade.
Ele é apenas silencioso. Não é menor em extensão.
É mais definido colorido e Poetizado. Não carece de
demonstrações: Presenteia com a verdade
do Sentimento.

Não precisa de presenças exigidas: amplia-se com as
ausências significantes. O AMOR MADURO tem e quer problemas,
sim, como tudo. Mas vive dos problemas da felicidade. Problemas da
felicidade são formas trabalhosas de construir o bem, o prazer.
Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro. Na
felicidade está o encontro de peles, o ficar com o gosto da boca
e do cheiro do outro – está a compreensão antecipada, a adivinhação,
o presente de valor interior, a emoção vivida em conjunto, os discursos
silenciosos da percepção, o prazer de conviver, o equilíbrio de
carne e de espírito.

O AMOR MADURO é a valorização do melhor do outro
e a relação com a parte salva de cada pessoa. Ele vive do
que não morreu, mesmo tendo ficado para depois, vive do que
fermentou criando dimensões novas para sentimentos
antigos, jardins abandonados, cheios de sementes.

Ele não pede, tem. Não reivindica, consegue.
Não percebe, recebe. Não exige, oferece. Não pergunta,
Existe, para fazer feliz.

O AMOR MADURO cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão,
basta-se com o todo do pouco. Não precisa e nem quer nada do muito.
Está relacionado com a vida e por isso mesmo é incompleto, por isso é pleno
em cada ninharia por ele transformada em paraíso. É feito de compreensão,
música e mistério. É a forma sublime de ser adulto e a forma adulta de
ser sublime e criança. É o sol de outono: nítido, MAS DOCE…

Luminoso, sem ofuscar. Suave, mas definido. Discreto, mas certo !.

-__________Artur da Távola-